Tag Archives: cidade

Filosofando

Depois da aula de Sociologia III, sobre Simmel e “a metrópole e a vida social”:

A superficialidade é impositiva e necessária aos homens das grandes cidades. São educados para aceitar o curso da vida social, pois a individualidade e suas manifestações causam um estranhamento objetivo aos já massificados indivíduos acostumados as aglomerações e equidades. Paradoxalmente, dada a amplitude de círculos sociais em constante mudança, é justamente a cidade que proporciona a maior possibilidade de liberdade individual subjetiva, já que é a única a abrir a possibilidade de mudança abrupta de estilo de vida e convivência.
Desta forma, as relações com as categorias de tempo e espaço se dão de forma abstrata, e essa abstração exacerbada é destacada pela superficialidade perceptível na impossibilidade de atingimo-nos de maneira profunda e com mutualidade. Sem querer, conseguimos atingir apenas o que está no nível do intelecto, do racional. Não perpassamos os terrenos do profundo e sequer nos interessamos por nossa própria profundidade, que intangível e suprimida, garante a sobrevivência coletiva.
É assim que o dinheiro – deus da modernidade¹ – pauta a abstração da cidade através da quantificação da vida. A condição monetária representa de forma instrumentalizada a futilidade, a equalização das relações e a condição superficial supracitada do homem urbano. Resgatando termos marxistas:  o equivalente geral² propõe a ideia de valor de uso e valor de troca³, e considera-se assim que o dinheiro é a representação exata do modo de vida social da metrópole: é o profundo que se torna raso, o sentimento que se torna exato e o sólido que se desmancha no ar⁴. 

__________________________________________________________________
1) Deus da modernidade: expressão empregada por Simmel para tratar a especificidade do dinheiro na sociedade de sua época.
2) Equivalente geral: termo usado por Marx como sinônimo para dinheiro.
3) Valor de uso e valor de troca: Simplificadamente, é a explicação marxista para a funcionalidade do sistema capitalista de produção.
4) Sólido que se desmancha no ar: menção a frase “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”, usada no Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, bem como atribui título ao livro de Marshall Berman.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , ,